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Alto da Sé em reforma

A visão que se tem do Alto da Sé em Olinda compensa a longa subida pela íngreme ladeira da Misericórdia. É o que comprovam os moradores da cidade e os turistas que visitam a 1ª Capital brasileira da cultura. “A sensação que se tem é que estamos num outro lugar, numa outra época”, comenta a estudante de Administração Irinalva santos. Todo um clima de mistério envolve aquela área da cidade. Lá, se respira cultura e transpira-se arte. Tombada pelo IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1968, a cidade alta, como também é conhecida esta parte de Olinda, recebe diariamente vários turistas brasileiros e do exterior.

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Percepção renovada

A realização desse trabalho de acompanhar a Reunião Internacional e o Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais 2008, nos permitiu mergulhar num universo desconhecido da maioria. Sempre que falamos em parteiras, caímos também nas amarras do preconceito ao imaginar senhoras idosas, em lugares remotos, com práticas obscuras e esquecidas pelo tempo, desenvolvendo o seu trabalho “primitivo” pela falta de oportunidades de contribuir de outra forma para a sociedade. Ledo engano.

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Quando a ciência defende o parto humanizado

Desprezados pela maioria dos profissionais de saúde, os metódos tradicionais utilizados pelas parteiras servem de base para pesquisa acadêmica do médico argentino Hugo Sabatino

Estudo da Organização Mundial de Saúde, publicado em 2006, revelou um crescimento de 20% na prática de partos cesarianos na América Latina. Como consequência, os índices de mortalidade pós parto e de neo natal sofreram elevação. Os números também mostram o Brasil como um dos países onde mais se realizam cesarianas. Segundo dados oficiais de 2004, a taxa de cesarianas era de 34,5%, dos 2,5 milhões de partos realizados naquele ano. O Ministério da Saúde, em resposta a essa situção, formulou o Pacto Nacional para Redução da Mortalidade Materna, que reduziu o pagamento de cesárias para hospitais. Mas a técnica de parto cesária não é recente. A história sugere que o imperador romano Caio Júlio César tenha nascido com essa técnica. Por isso, o nome cesária.

Contrariando a tendência atual, o médico argentino José Hugo Sabatino, há 30 anos no Brasil, defende, pratica e difunde o parto humanizado. Formado em medicina pela Universidade Nacional de Córdoba na Argentina em 1968 e pós graduado na Argentina e no Uruguai, Sabatino obteve o título de Especialista em Tocoginecologia em Montevidéu e foi convidado a trabalhar na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas onde atua desde então como professor adjunto.

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Parteira, um exemplo a ser seguido

Muito mais do que apenas aproximar mulheres de todo o Brasil e de outros regiões da América Latina, a Reunião Internacional e Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais 2008, realizada de 28 de abril a 3 de maio em Olinda, no Grande Recife, procurou atingir metas bem específicas. Uma delas foi traçar estratégias para organizar grupos e reuniões de parteiras em várias partes do País, a exemplo do que já é feito em Pernambuco pela C.A.I.S do Parto, ONG responsável pelo encontro.

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Mirem-se no exemplo daquelas mulheres: parteiras

Diferente das “Mulheres de Atenas” retratadas na música, as parteiras buscam autonomia, liberdade, reconhecimento e difusão do parto humanizado

Apesar de parecer restrito ao universo feminino, a luta das parteiras começa a servir de exemplo também para os homens. O Cais do Parto trabalha para conscientizar ambos os lados levantando sua bandeira para todos, independente de gênero. Os grupos de casais grávidos foram criados com o objetivo de envolver também os parceiros, o que despertou a atenção do sociólogo Bruno Monteiro, 24 anos, morador de Olinda. Ele e sua companheira Sofia, de 22 anos, entraram no grupo há dois meses e descobriram a luta pela humanização do parto.

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Parteira, profissão sublime

Por Domingos Sávio de Godoy

Parteira é uma das profissões mais nobres que existem na humanidade. Elas são responsáveis pela realização de um dos gestos mais sublimes da natureza: gerar vida. O nascimento do ser-humano. Sua historia é tão antiga quanto à história da própria espécie.

Elas aprendem seu ofício na prática, geralmente com o auxílio de parteiras mais velhas. Destacam-se muito nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. São muito eficientes na zona rural e nas florestas ribeirinhas, onde o acesso aos postos de saúde é precário.

Utilizando-se de suas mãos, de uma bacia com água e de uma tesoura ou material cortante, fazem o parto de acordo com as condições encontradas em qualquer ambiente, ou seja, à luz de vela, de lamparina ou, até mesmo, de candeeiro.

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Vozes da América ecoam em Olinda

Voluntárias, sacerdotisas, mães da pátria. Todas parteiras

“As parteiras são a fonte de preservação do feminino como se fossem sacerdotisas, designadas por Deus, detentoras de uma sabedoria, um dom”, explica a pesquisadora Bia Fioretti, publicitária paulistana, de 43 anos, presente no primeiro dia do evento promovido pelo Cais do Parto. A proposta de reunir parteiras do Brasil e do exterior foi consolidada com a presença de representantes de diversos estados brasileiros e outros países como México, Argentina, Peru, Colômbia e Canadá.

Um momento comovente ocorreu quando a presidente do Cais do Parto, Suely Carvalho, abriu o microfone para a platéia e cada participante teve a oportunidade de contribuir com seus depoimentos. Foi uma volta ao mundo sem sair do lugar. Origens, línguas e culturas diferentes relatando os mesmos dilemas na vida das parteiras. Um dos discursos mais belos e solidários foi o de Bia Fioretti, ao associar uma das primeiras profissões do mundo com a missão de uma sacerdotisa. “As parteiras abrem mão do próprio trabalho para atender outras mulheres”, explica.

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