Um Brasil Zen – Final

O mercado de quadrinhos forçou o surgimento de um outro tipo de sociedade ou tribos (como dizem algumas pessoas), foi o surgimento dos Fanzines, um movimento que se iniciou na Inglaterra por volta dos anos 60, se alastrou pelo resto do mundo, chegando aqui no Brasil no anos 70. Fanzine partindo do conceito que era algo feito por fãs, fosse edições poéticas, música ou HQs o gênero criou força no Brasil e se alastrou por todo o país, porém a chegada da inernete deu uma guinada nesse movimento cultural de uma forma que hoje quase não se houve mais falar do mesmo, ou seja, foi devorado pelo bicho papão da internete ou quem sabe da globalização. Qual a sua opinião Nestablo e Tatiana sobre esse assunto? Que futuro vocês acham que esta reservado para os Fanzines, Fanzineiros e seus personagens, muitas vezes guerreiros combatentes de uma guerra ultrapassada, porém ainda muito sentida que é as dos artistas nacionais batalharem por seu espaço no Brasil?N

Eu não vejo esse futuro terrível para os fanzines. Acho que a internet, neste caso, veio para ajudar a encurtar as distâncias entre os fanzines e seus leitores. Não vejo como bicho-papão, mas sim como fada madrinha. A internet é uma grande ferramenta e aliada, mas você precisa saber como usar isso.

Acho que a arte sempre se transforma, e encontra um modo de se manter viva, assim como o veículo em que ela se expresse. Essa discussão aconteceu com os discos vinil, que estão a toda hoje nas pickups; aconteceu com o grafite que hoje vem se transformando e agregando mais linguagens como os adesivos; aconteceu com o rádio quando apareceu a televisão, nossa tantos exemplos, e em todos houve não uma extinção, mas uma transformação bem interessante. A internet se bem usada pode ser uma enorme aliada. Quem sabe os fanzines não vão invadir a internet sendo uma forma mais direta e original de expressão? Existem muitas coisas experimentais sendo feitas na internet, estou curiosa para ver em que os fanzines irão se transformar.

Zen, vemos hoje uma grande quantidade de personagens estrangeiros em nossas bancas, muitos deles sofreram reformas drásticas para poderem se manter no mercado e ainda venderem o tanto quanto vendiam no passado. O que você acha dessa estratégia e como você vê o futuro desses personagens? E os personagens brasileiros o que você tem a dizer dos diversos tipos e estilos que surgiram e surgem no mercado do Brasil?

Personagem de quadrinho sofre pacas pra agradar leitor!(risos). Mas sinceramente não acho que essa mudança toda pra vender gibi seja legal. Não é legal para quem compra, mas para quem vende, pois sempre tem alguém querendo aquilo que as editoras estão vendendo. Seja lá o que for, há pessoas que vão querer. Acontece que as revistas mudam tudo a toda hora, é saga disso, saga daquilo, iniciativa disso, apocalipse daquilo… isso cansa pra caramba! Conheço gente que desistiu de ler alguns títulos por causa dessas estratégias criadas para vender tentativas de ganhar mais dinheiro. Por outro lado, estas editoras não são apenas mais uma editora, são mega empresas, fábricas de produzir dinheiro, né? Acaba desgastando a imagem de bons personagens. Renovar é bom, mas precisa ser feito com muito cuidado.

Para finalizar, qual o melhor trabalho de vocês? Aquele que vocês poderiam recomendar para algum leitor interessado em conhecê-los. Que palavras de incentivo vocês deixariam para aqueles que estão na estrada a mais tempo e para aqueles que pretendem começar sua jornada ao sucesso?

Eu gosto muito de todos os meus trabalhos, mas acho que se fosse para recomendar algum, seria qualquer um destes que estou produzindo agora (Zona Zen e Projeto Zoo), pois são projetos especiais que falam de temas importantes e têm excelentes mensagens. Para os que desejam se aventurar nessa profissão, eu pergunto: faz por amor? Se a reposta for sim, então siga em frente, mas tenha sempre um plano B, como um emprego fixo, claro. (risos).

Eu recomendo que leiam a Zona Zen, é nela que eu trabalho e não posso perder o emprego que mais gosto! (Risos). Para quem seguir na carreira dos quadrinhos eu peço que escrevam mais sobre as coisas que valem a pena na vida. Trabalhem em prol das boas causas, elas precisam de vocês para serem propagadas!

Agora estou na Zona Zen a convite do Neto, que é um super parceiro,  pessoa maravilhosa de se ter como amigo e colega de trabalho, acho  esse trabalho muito bacana, vocês podem acompanhar pelo blog da Zona  Zen. Durante muito tempo eu fiz histórias pra mim e mostrava para raros  amigos, enquanto me dedicava a outros trabalhos que na maior parte eram cenários, figurinos e ilustrações. Tenho o “Marrara”, um personagem que curte meditações um tanto estranhas, (risos), meio desligado, meio doido, meio sábio, um figura com certeza; mas ainda não publiquei, quem sabe…; ah… tenho também uma turma de adolescentes que mora em Brasília, alguns da turma são o “Prancha” que é um skatista, a “Nina” que é skatista também, um rapper, uma hippie que foi no Woodstock…(risos), é a mais velha da turma, entre mais alguns personagens. Agora estou voltando a um projeto que estava na gaveta e que está querendo conversar de novo comigo, estou empolgada e já recomecei a rabisqueira compulsiva, é algo com ficção científica e cotidiano juntos. Vamos ver… e quanto a segunda pergunta, “para aqueles que pretendem seguir sua jornada ao sucesso”… acreditem… realmente é uma “jornaaada”, longa e quem sabe eterna, mas não importa, porque você não deve querer o sucesso, você deve querer fazer quadrinho por prazer, primeiro para o seu prazer, e se você fizer com verdade, vai tocar muitas pessoas, mas mesmo isso não garante sucesso, fazer quadrinho por sucesso é fria, e com certeza esse tipo de motivação vai dar em quadrinho fraco. Se é por sucesso, procure outra coisa pra fazer.

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