Das HQs para as Telas: Os Nacionais


Apesar da explosão de adaptações dos quadrinhos nas telas alcançarem grande sucesso em Hollywood, o Brasil ainda engatinha nessa interação entre as mídias, num filão ainda pouco explorado no país. Primeiro porque o cinema brasileiro atual começa a ensaiar a diversificação de gêneros e segundo porque nos quadrinhos brasileiros ainda não existe qualquer obra significativa e duradoura, com personagens marcantes e populares o suficiente para receber grande atenção nos cinemas, exceto a obra de Maurício de Souza, com sua Turma da Mônica e o Menino Maluquinho, de Ziraldo, ambas voltadas para o público infantil. Entretanto, apesar de raros, existem filmes, longas ou curtas metragem, ficção ou documental, com elenco ou em formato de animação, baseados ou inspirados nos quadrinhos que fazem a ponte entre a Sétima e a Nona Arte. Eles formam o seleto clube de filmes nacionais ligados aos quadrinhos que merecem destaque, reunidos nessa relação exclusiva.

Filmes nacionais adaptados dos quadrinhos

Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006) de Otto Guerra, baseado nos personagens de Angeli.
A comédia de animação, com as vozes de Júlio Andrade, José Vitor Castiel, Michele Frantz, Rita Lee, Lobão e Tom Zé, mostra dois hippies resistentes tentando sobreviver ao mundo de hoje. Vencedor do segundo festival Animacor, em Córdoba, na Espanha, prêmio especial de Juri de Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora (Flávio Santos) e Melhor Atriz Coadjuvante (Rita Lee) no Cine PE (2006), Melhor Trilha Sonora (Flávio Santos) no Festival de Cuiabá (2007) e Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Animação (2008).

Rock & Hudson (1994) de Otto Guerra, baseado nos personagens de Adão Iturrusgarai.
São dois caubóis gays, piegas e esquizofrênicos que assumem seu amor, moram, lutam e, principalmente, se divertem juntos. Dividido em dois episódios: A Pistola Automática do Dr. Brain e Pé na Estrada. O título é inspirado no nome do astro de Hollywood, Rock Hudson, ator de faroeste que fazia papel de macho, mas era gay. Não confundir com o drama O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005) de Ang Lee.

Ed Mort (1997) de Alain Fresnot, com Paulo Betti, Cláudia Abreu, Otávio Augusto e Ary Fontoura
Baseado no personagem literário criado por Luis Fernando Verissimo e transformado em quadrinhos por Miguel Paiva. Detetive fracassado é contratado por uma jovem sedutora para encontrar o marido desaparecido, o Silva. Um mestre em disfarces que aparece como Chico Buarque, Marília Gabriela, Cauby Peixoto, Luiza Tomé, Gilberto Gil e José Mojica Marins. A busca do detetive revela uma conspiração que tem início na fabrica de salsichas Delbono.

Menino Maluquinho (1994) de Helvécio Ratton, com Samuel Costa, Patrícia Pillar, Roberto Bomtempo, Othon Bastos e Luiz Carlos Arutin. Baseado no personagem pelo desenhista e cartunista mineiro Ziraldo. Teve uma continuação de 1997, Menino Maluquinho II – A Aventura, dirigida por Fernando Meirelles e Fabrízia Pinto. Meirelles ficou conhecido por Cidade de Deus (2002) e prepara-se para lançar no Brasil, Ensaio Sobre a Cegueira. O terceiro longa da franquia nacional, Menino maluquinho 3 – O que você está fazendo no meu sonho?, ainda em fase de pré-produção, será dirigido por César Rodrigues e André Pinto para apresentar uma nova geração de maluquinhos.

A Princesa e o Robô (1983) de Mauricio de Souza
A trama, inspirada em Guerra nas Estrelas, mostra um distante planeta em forma de cenoura, com robôs e coelhos. A tranquilidade é rompida quando um raio atinge um dos robôs e faz com que ele fique apaixonado pela princesa Mimi. O vilão Lorde Coelhão pretende atrapalhar o romance, mas a Turma da Mônica entra em ação para ajudar o casal apaixonado.
A força dos personagens da Turma da Mônica mantiveram a mais constante produção de animações baseadas em quadrinhos do cinema brasileiro. Os longas animados sempre foram produzidos no formato de coletânia com várias histórias curtas, mas A Princesa e o Robô de 1983 teve a ousadia de narrar uma única história. Vale pela curiosidade e pioneirismo. Outras animações produzidas por Maurício de Souza são As Aventuras da Turma da Mônica (82), As Novas Aventuras da Turma da Mônica (86), Mônica e a Sereia do Rio (87), Mônica e o Bicho Papão (87), Mônica e a Estrelinha Mágica (88), A Rádio de Chico Bento (89), Chico Bento, Oia a Onça (90), Cinegibi – O Filme – Turma da Mônica (2004) e o mais recente Turma da Mônica em Uma Aventura No Tempo (2007). Boa parte dessas obras foram lançadas em DVD no Brasil.

Mônica e Cebolina no Mundo de Romeu e Julieta (1979) de Maurício de Souza
Adaptação de Romeu e Julieta filmada em Ouro Preto com atores ao vivo, usando máscaras. Montéquio Cebolinha e Julieta Monicapuleto apaixonam-se, mas suas famílias proíbem o namoro. Amagali e Frei Lourenço Cascão ajudam o casal até confrontarem o Príncipe Xaveco de Verona. Não espere o final trágico da obra original.

O Judoka (1973) de Marcelo Ramos Motta, com Pedrinho Aguinaga e Elisangela.
Baseado num dos primeiros super heróis brasileiros, publicado pela saudosa EBAL nos anos 70. O Judoka, cujo uniforme era um quimono verde e amarelo, era a identidade secreta de Carlos. O filme, produzido pela própria editora, foi lançado quando a revista foi cancelada. O personagem surgiu como uma jogada do Adolfo Aizen, o editor, para conquistar o público das academias e foi desenhado por haf, pseudônimo do engenheiro Floriano Hermeto de Almeida Filho.

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4 Respostas para “Das HQs para as Telas: Os Nacionais

  1. Nossa!!
    Eu assisti muuuito A Princesa e o Robô e Mônica e Cebolina no Mundo de Romeu e Julieta (q vale resaltar, eu nem lembrava q o nome era esse… huhuhu…)
    ahuahuahauahua…
    Muitas boas lembranças! ;D

  2. Blog muito inteligente!
    Conforme contato no Fórum WP, já add seu link no meu blog.

    Abraços.

  3. MEMÓRIA DA T V E DO CINEMA-
    ONG – CULTURAL DERESGATE E PRESERVAÇÃO DE IMAGENS DA TV E CINEMA NO BRASIL
    ACERVO DE COLEÇÃO, MUITOS TELECINADOS OU CONVERTIDOS DE VHS, OUTROS ADQUIRIDOS DE COLECIONADORES, COM BOA QUALIDADE DE IMAGEM E SOM, DUBLADOS OU LEGENDADOS EM PORTUGUES. (Leia com atenção: são SERIADOS, NOVELAS, DESENHOS, ANIMES, TOKUSATSUS, PROGRAMAS, MINI-SÉRIES E COMERCIAIS ANTIGOS DA TV, FUTEBOL RARO, TELECATCH, CARNAVAL, FILMES CULT, CLÁSSICOS E RAROS, DOCUMENTÁRIOS proibidos, banidos, censurados, MAKING OF, VÍDEO-AULAS (DESENHO,QUADRINHOS,ESCULTURA..),MPB ENTREVISTAS e muito mais…
    PEÇA QUE ENVIO LISTA GERAL ANEXADA P/ CONSULTA OFF-LINE): magobardo@yahoo.com

    – e visite
    Parte do meu acervo de DVDs e VHS raros http://memoriatvcinema.net46.net

  4. Excelente matéria; mas se me permitem, coloco aqui algumas observações:

    1) Maurício de Souza se chama de Sousa (com S); não de Souza (com Z)…

    2) Personagem é palavra feminina, vem de “persona” (pessoa em espanhol, italiano e latim), também porque qualquer palavra acabada em “agem” é feminina (regras da gramática)…

    3) Super-herói tem hífen (o atual acordo ortográfico não anulou o hífen antes do H)…

    No mais, quero dizer que também sou um grande fã de quadrinhos; inclusive também pretendo me enveredar por uma carreira oficial daqui a poucos anos (sendo que na realidade, sou multimídia; conforme denuncia meu “Fotolog” principais; logo abaixo); tranqüilo?

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