Polifonia para o exercício da cidadania

Cidadania “é a qualidade ou estado do cidadão”. Entende-se por cidadão “o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. Destaque-se deveres. Pois é, o dever do cidadão é justamente lutar pela garantia deste “direitos civis e políticos”. No entanto, devido a nossa cultura de acomodação, não estamos acostumados a exigir do Estado o cumprimento desses direitos. É como se o nosso papel fosse apenas comparecer e votar nas épocas de eleição e / ou pagar impostos.

Ultimamente, muito se tem falado em cidadania. Mas, poucos são os que tem conhecimento da evolução histórica por que passou este conceito. Na antiguidade greco-romana, já havia a idéia de cidadania mais ou menos como hoje a concebemos: “capacidade para exercer direitos políticos e civis”. A diferença é que, tal como uma “qualidade”, a cidadania não estava ao alcance de todos os indivíduos da sociedade. Ela estava restrita aos homens livres, ou seja, os que não precisavam trabalhar para sobreviver. Eram excluídos desse direito os escravos, as mulheres e os estrangeiros.

Com a decadência do Império Romano e o fortalecimento do cristianismo (Idade Média), o princípio de cidadania enfraqueceu, para ser retomado apenas a partir do século XVII, com a formação dos Estados Nacionais. Era quase impossível que tal conceito sobrevivesse dentro de um contexto como o feudalismo, onde as relações sociais eram de extrema dependência pessoal (vassalo – servo – suserano).

O fim das relações feudais inicia a Idade Moderna, que traz de volta consigo o conceito de cidadania. Esse período é caracterizado pelo declínio da autoridade religiosa, e conseqüente queda da autoridade política, e pela posterior centralização do poder nas mãos do rei. Surgem os Estados Nacionais. Já no fim da Idade Moderna, com o espírito de cidadão mais ou menos consolidado, o povo começa a questionar as distorções e os privilégios que existiam na sociedade. Nesse contexto, sobressaem os pensadores que viriam a marcar a história da luta pela cidadania, tais como Rousseau, Voltaire, entre outros.

Mas, essa história ainda não terminou e acho difícil que termine um dia, pois a cidadania é um conceito em constante construção. O Professor de filosofia, Vanderlei de Barros, fala também numa evolução do Ser Humano até o Ser Cidadão, passando pelo Ser indivíduo e o Ser Pessoa. Segundo ele, “o homem torna-se Ser Humano nas relações de convívio social.” O Ser Humano, por sua vez, “torna-se indivíduo quando descobre seu papel e função social”. Em seguida, “ o indivíduo torna-se pessoa quando toma consciência de si mesmo, do outro e do mundo”. Por fim, “ a pessoa torna-se cidadão quando intervém na realidade em que vive”.

Existem várias formas de se fazer isso. Uma delas é conscientizando as pessoas da importância de se exercer a cidadania, pois tudo é, principalmente, uma questão de consciência. Portanto, é essa a proposta do Polifonia (fazendo jus ao significado do termo, poli + fonia = várias vozes): discutir cidadania sob os mais variados pontos de vista, ou seja, dando voz a todos os cidadãos.

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2 Respostas para “Polifonia para o exercício da cidadania

  1. Os Abelhudos celebram os ventos da cidadania a soprar no Blog. Seja bem vinda, Maíra.

  2. Obrigada, amigos pela ótima recepção!!!

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