O espírito inovador dos quadrinhos renasce

O trabalho de adaptar para o cinema qualquer obra do mestre dos quadrinhos Will Eisner é uma tarefa de grande responsabilidade. Especialmente, quando envolve Spirit (Idem, 2008), um dos personagens mais marcantes criado por Eisner nos anos 40. Quando o roteirista e desenhista Frank Miller assumiu o projeto em 2006, dividiu as opiniões dos fãs de quadrinhos. Alguns lembravam da tenebrosa aventura de Miller em Hollywood, durante os anos 80, com o roteiro de Robocop II e Robocop III. Uma experiência tão grotesca que logo fecharam as portas para Miller no cinema e restou ao autor voltar a trabalhar com quadrinhos. Mas Frank Miller não é um nome desconhecido para quem curte a nona arte. Pelo contrário, é tido como um dos autores mais influentes do meio, responsável por grandes obras com personagens tradicionais como Demolidor (Queda de Murdock) e Batman (Cavaleiro das Trevas), além de trabalhos mais ousados e autorais como 300 de Esparta, Liberdade, Ronin e Sin City. Muitas dessas obras foram adaptadas para as telas ou influenciaram outros filmes. Quando Robert Rodriguez dirigiu Sin City (Idem, 2005), abriu caminho de Hollywood outra vez para Miller e o projeto de estréia do quadrinista na direção não poderia ser outro senão adaptar o marcante personagem de Will Eisner. Rodriguez fez mais, ensinou Miller a dirigir filmes com elenco em tela verde e cenários virtuais. A dúvida é saber se Miller aprendeu bem a lição.

Em Spirit, o detetive mascarado Denny Colt decide forjar a própria morte para combater o crime na fictícia Central City, mas ele não esconde qualquer superpoder ou aparato tecnológico por trás de seu disfarce. É apenas um homem comum usando máscara, muita astúcia e poder de sedução, cercado de beldades. No filme, Miller não poupa as beldades. Um desfile delas entra em cena como Scarlett Johansson (Moça com Brinco de Pérola), Eva Mendes (Motoqueiro Fantasma), Stana Katic (007 – Quantum of Solace), Jaime King (Sin City), Paz Vega (Lúcia e o Sexo) e Meeghan Holaway (Bad Dog). Mas nem tudo é moleza para o herói extraído dos quadrinhos, o diretor escolheu Samuel L. Jackson (Pulp Fiction) para viver o vilão Octopuss, capaz de matar qualquer um que vê o seu rosto, enquanto o desconhecido Gabriel Macht ficou com a incubência de incorporar o heróico detetive.

O Spirit, produzido por Eisner nos anos 40, foi uma obra a frente de seu tempo. Com inovadoras técnicas narrativas, enquandramentos inusitados e criativos efeitos de luz e sombra, a série do detetive de Central City inspirou muitos grandes nomes dos quadrinhos, especialmente Miller. Nas décadas seguintes, Eisner aprimorou sua arte e criou as revistas em quadrinhos de luxo, batizadas romances gráficos (Graphic Novel), apresentando todas as possibilidades dos quadrinhos para densevolver um trabalho mais autoral. O novo suporte libertou toda a força criativa de Eisner em obras como O Edifício, Um Sinal do Espaço, Contrato com Deus, No Coração da Tempestade e seu último trabalho A Conspiração, lançado meses depois dele morrer em 2005. A grande importância de Eisner para os quadrinhos foi consolidada com a criação de um prêmio anual com o nome do mestre.

Para aproveitar o espírito natalino, Spirit (Idem, 2008) será lançado no próximo Natal. Destaque para o cartaz desenhado pelo próprio Frank Miller. Confira o trailer legendado:

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