Todas as estradas culturais do Recife levavam à Livro 7

Nos tempos sombrios da Ditadura Militar, a efervescência cultural da cidade tinha endereço certo. O espaço de liberdade e resistência consolidado na rua Sete de Setembro, fechou e deixou saudade.

A Livro 7 foi um marco na vida cultural do Recife desde o lançamento, em 27 de julho de 1970, antecipando conceitos que hoje encontramos nas megalojas. Amplos espaços, cadeiras para leitura, debates, eventos culturais e noites de autógrafos toda semana. A livraria foi pioneira até na realização de um torneio de xadrez. Tarcísio Pereira fazia questão de manter seus funcionários atualizados, “Eu pegava os suplementos literários, lia e cortava. Organizava por assunto. Quando chegava numa reunião com os vendedores, colocava nas mãos de cada um e dizia: leia. Se não pode ler o livro, leia pelo menos os comentários”, explica. Na visão do historiador Júlio César, a Livro 7 era de grande importância para a sociedade pernambucana. “Uma pena ter fechado. Quem sabe, um dia reabra”, lamenta, sem perder a esperança.

“A Livro 7 era um reduto de artistas e intelectuais que podiam falar livremente o que pensavam do governo repressor. Era um oásis cultural”, recorda a jornalista Sandra Ribeiro. De fato, a livraria abriu num dos momentos mais pesados do Regime Militar. Ainda assim, lançava muitos autores de esquerda, importava coleções de história, filosofia e política e trazia toda semana o Pasquim, antes do polêmico periódico chegar aos demais pontos de distribuição. Tarcísio era sempre chamado para depor na Polícia Federal e se defendia. “Os livros importados são obras científicas, indicados pelos professores das Faculdades e trazidos sob encomenda”. Apesar de sofrer todo o tipo de ameaça, o livreiro nunca foi preso. Curiosamente, ele recebeu uma placa do governo da época. “Na placa, o próprio Governo reconhecia a livraria como ponto de resistência”, diverte-se, Tarcísio.

A psicóloga Myrza Vellozo visitava a Livro 7 sempre que podia, “com a certeza de encontrar o que necessitava”. Era um sentimento comum a muitos freqüentadores e isso mantinha o sucesso da livraria que chegou a ter filiais na Paraíba, em Alagoas e no Ceará. Apesar disso, a falta de segurança no bairro do centro afastou os clientes e a livraria fechou as portas em 1998. “Fui cliente da antológica Livro 7, onde as pessoas iam bater papo e ler. Era um centro de cultura. Uma pena que acabou. Foi um espaço de cultura que Recife perdeu”, lamenta o funcionário público Ivan Telles. Perguntado se reabriria a Livro 7, Tarcísio admitiu, “Tenho recebido muito estímulo para reabrir, mas não dá mais, pois, vivemos outro momento, outra realidade. A Livro 7 também foi fruto do momento, da repressão”. Se dependesse da vontade dos freqüentadores, a resposta seria diferente.

Entretanto, Tarcísio Pereira não saiu do mercado. Ele lançou a editora Livro Rápido, junto com o grupo Elógica, em 2002, e mantém uma livraria virtual com o mesmo nome. Ao utilizar a tecnologia de impressão a laser para pequenas tiragens, a editora reduz custos ao imprimir sob demanda. Isso permite abrir espaço para novos autores. Ao receber o arquivo do autor, a Livro Rápido cuida da edição, revisão, diagramação, prepara a capa e publica o livro com código de barra, ficha catalográfica e ISBN. Quem escolhe o preço final é quem escreve. “Se for um livro de 80 páginas e o autor queira vender a R$ 20. A editora fica com R$ 10 pelos custos e também 10% que é a bonificação do site”, explica Tarcísio. A editora tem boa repercussão porque parte da antiga clientela acompanhou o livreiro. “Praticamente todos que vem aqui publicar, era cliente da Livro 7. Houve uma migração”, revela Tarcísio. Ao menos, no cenário virtual, a chama da Livro 7 continua acesa.

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6 Respostas para “Todas as estradas culturais do Recife levavam à Livro 7

  1. A LIVRO 7 tb foi um marco aqui em João Pessoa.
    Agora a Siciliano tomou conta de tudo,mas não vejo intelectuais reunidos la.

  2. Fernando da Silva Aguiar

    Sou filho do livreiro Antônio Nobre que fundou a DILERTEC em 1966 em Teresina, capital do Piauí, numa época em que ainda não contávamos nem com uma universidade Federal. Durante muitos anos a DILERTEC exerceu uma função na sociedade piauiense muito parecida com a atuação da livro 7, sendo inclusive um refúgio intelectual em virtude da ditadura que assolava o país e não foi diferente no Piauí. O livreiro Antônio Nobre faleceu em 1986 e nós família, continuamos tocando o negócio com seus altos e baixos, mas infelizmente depois de tanta luta, em 2004 a livraria encerrou as atividades. Graduei-me em Biblioteconomia, mas não descarto a possibilidade de voltar a atuar no ramo livreiro, com mais experiência adquirida no negócio e na faculdade espero tempos mais estáveis, onde possa continuar um pouco da história deste grande livreiro Antônio Nobre. O Resto é com Deus.

  3. Que porcaria eu queria as estradas do Recife

  4. luiz albu quer que d

    oi seu tarcisio tudo bom co o seor eu sor o luiz fi..da maria qe traba…para seor lebra de mi..eu traba…na livro 7
    como qe vai a dona leticia ea caro e a ju
    eu adorei ver sua foto cotinua u garoto me descupe
    ser não ecrevo muito bem a livro 7 e sepre sera a bela
    livraria 1 grade a braco luiz albu quer que da siuva
    tele…84]94510462 eato no rio grade do norte
    estudio@15www.estudio.com.br o me lega
    1000 a bra……..

  5. Sérgio Arruda de Moura

    A Livro 7 fez parte da minha vida de estudante no Recife, entre 1977 e 1986. Era sempre uma alegria marcar encontro lá, passeando pelas prateleiras e pescando as novidades. Parte significativa da minha modesta biblioteca tem o selo Livro 7. A Livro 7 está na minha mais preciosa memória do Recife.
    Um grande abraço no Tarcísio Pereira.

  6. A livro 7 não merecia o esquecimento!

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