Megalojas recriam o conceito de livrarias com sucesso

Apesar das estatísticas sobre o mercado editorial brasileiro serem desfavoráveis, as megalojas revelam que é possível reverter esses números e expandir o universo de leitores.

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, promovido pela Câmera Brasileira do Livro (CBL), mostra um painel desolador sobre o mercado editorial no País. Entre brasileiros adultos alfabetizados, 61% têm pouco ou nenhum contato com os livros. No universo de municípios brasileiros, 89% não possuem livrarias e o montante delas mal supera 1,5 mil unidades. Além disso, mantemos um baixo índice de leitura por habitante. Uma média anual de apenas 1,8 livros por brasileiro, contra 2,4 livros da Colômbia, 5,1 dos Estados Unidos e sete na França.

Por outro lado, o mercado editorial brasileiro conquistou o oitavo lugar em volume de produção no ranking mundial e acumulou R$ 2,8 bilhões em faturamento no ano de 2006. Em parte, graças ao sucesso da nova geração de livrarias que se espalha pelo País em diversas redes, contrariando o pessimismo do setor.


As megalojas reformularam o conceito de livraria como centros culturais, oferecendo em amplos espaços, DVDs, CDs, papelaria, cafés, restaurantes, poltronas para leitura, auditórios para pequenos shows e noite de autógrafos, além de um grande acervo de livros. As vantagens para o público são logo percebidas. “Organização, bom atendimento e pessoas disponíveis para ajudar”, destaca a psicóloga Myrza Vellozo, 48 anos. Assídua freqüentadora que se considera viciada em livros.

A pioneira do gênero no Brasil foi a Saraiva, com a inauguração da primeira megaloja em 1996. A rede manteve 16 lojas nesse formato e abriu mais seis este ano. No acumulado de 2007, o lucro líquido foi de R$ 36,2 milhões, uma alta de 56,5% em relação ao ano anterior. Atualmente, a Saraiva prossegue as negociações para a aquisição de sua rival, a Siciliano. O uso da tecnologia nas megalojas chama a atenção da jornalista Sandra Ribeiro, 48 anos. “Quando um livro está em falta na loja, é solicitado pela internet e chega com rapidez. Coisa que era impossível acontecer anos atrás”, analisa.

Ao completar 60 anos, a Livraria Cultura também teve sucesso ao adotar o modelo de megalojas. Hoje, a rede mantém seis unidades no país e pretende abrir outras três até o fim de 2008. Com faturamento superior a R$ 150 milhões em 2006, sua mais recente unidade, inaugurada em maio último, teve um investimento de R$ 6 milhões e ocupa três pisos, numa área de 4.300 m2, em São Paulo, para abrigar um acervo de 150 mil livros, 35 mil CDs e 20 mil DVDs.

“A Cultura se transformou num ponto de encontro das pessoas”, elogia o funcionário público, Ivan Telles, 32 anos, apesar de reclamar do fator econômico e enxergar o livro como artigo de luxo, muito caro. O historiador Júlio César, 38 anos, também aprova o novo conceito de megaloja. “A Cultura tem grande importância, pois, faltava uma livraria no Recife, onde as pessoas pudessem encontrar vários títulos e autores”. Júlio freqüenta a Cultura, pelo menos, duas vezes no mês.

Para Tarcísio Pereira, ex-dono da Livro 7, registrada pelo Guiness Book nos anos 90 como a maior livraria da América Latina, a chegada das megalojas reduz o espaço do pequeno livreiro. “Hoje, ou se investe numa megaloja, ou não há condições de competir. Colocar uma lojinha de rua e manter todas as despesas para concorrer com uma megaloja é difícil”, avalia. Mesmo assim, Tarcísio faz elogios às megalojas, apesar de manter ressalvas. “Aquela turminha nova vai procurar no terminal. Se não tiver no computador, então o livro não existe. Eles se limitam ao que está ali”, alfineta.

Tarcísio entende que as redes concentram um poder de aquisição muito grande. Eles podem comprar mil livros e a editora terá uma condição que não será a mesma para quem compra 10 ou 20 exemplares. “As pequenas estão desaparecendo e, o que é pior, também desaparecem os livreiros”, lamenta. Apesar disso, o sucesso das megalojas pode trazer a luz necessária para o mercado editorial brasileiro expandir o universo de leitores e transformar as estatísticas em números animadores o suficiente para multiplicar as tiragens e aquecer o setor.

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