Parteiras discutem regulamentação da profissão no 1º dia de encontro

Por Paulo de Tarso

O primeiro dia da Reunião Internacional e Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais 2008, promovido pelo Cais do Parto, que há 17 anos trabalha na busca da valorização profissional das parteiras e a humanização do parto, foi realizado na segunda-feira (28/04) e contou com a presença de parteiras vindas do exterior, mais precisamente do México, Equador e Canadá e, também, de Pernambuco e de outras partes do Brasil. O evento foi realizado em Olinda, até o dia 3 de maio.

Um dos principais objetivos do encontro foi discutir a regulamentação da profissão de parteira. De acordo com a parteira e presidente do Cais do Parto, Suely Carvalho, o evento serve para reunir forças políticas e modificar esse quadro. “Temos a intenção de tirar deste encontro um documento que possa mostrar o nosso desejo, que é de aprovação por parte dos parlamentares do País da nossa profissão”, explicou Suely. Segundo ela, parteiras de outras localidades do Brasil, presentes no encontro, realizarão outros encontros buscando juntar mais força política. “Trata-se de uma dívida social no País”, completa.

Parteira há 54 anos, a mexicana Dona Queta, como é conhecida, fala sobre a necessidade de se valorizar mais a profissão, que para ela é como qualquer outra. “Não existe diferença entre a parteira e um homem que vai para roça. Buscamos ajudar mães mais necessitadas e, claro, fazemos tudo com muita dedicação. Esse não-reconhecimento me entristece bastante”, disse Dona Queta, mãe de dez filhos.

Seguindo o mesmo raciocínio de Dona Queta, a outra parteira mexicana que participou do encontro, Dona Irene, que trabalha como parteira há 50 anos, explicou toda a dificuldade encontrada pelas parteiras mexicanas. A situação, segundo ela, é de muita precariedade. “No México, diferentemente do Brasil, as parteiras vivem em tremendo estado de pobreza. Não temos luz em nossas casas, mas nem por isso deixamos de salvar vidas”, explicou. Ela diz ainda que as parteiras necessitam de um cuidado grande na hora do parto, já que se a mãe que deu à luz um filho morresse, automaticamente seria decretada a prisão da parteira.

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