Parteira, um exemplo a ser seguido

Muito mais do que apenas aproximar mulheres de todo o Brasil e de outros regiões da América Latina, a Reunião Internacional e Encontro Estadual de Parteiras Tradicionais 2008, realizada de 28 de abril a 3 de maio em Olinda, no Grande Recife, procurou atingir metas bem específicas. Uma delas foi traçar estratégias para organizar grupos e reuniões de parteiras em várias partes do País, a exemplo do que já é feito em Pernambuco pela C.A.I.S do Parto, ONG responsável pelo encontro.

A psicóloga Vera Moraes, 63 anos, saiu de Marabá (PA) para participar do evento em Olinda e conta que já começou a realizar um trabalho junto com a Associação de Mulheres do município paraense. “Começamos a localizar mulheres que são parteiras para saber o interesse delas, orientando e explicando sobre a proposta”, afirma Vera. Segundo ela, atualmente não existe nenhum trabalho de política pública em Marabá voltado para a atividade das parteiras do município, o que de certa forma contribui para o crescente preconceito em relação à profissão, que ainda não é regulamentada no Brasil. “A idéia é criar uma organização e assim pressionar a prefeitura para que ela tome conhecimento da atividade”, explica a psicóloga, que iniciou o trabalho no início deste ano.

Parteira há 25 anos, Maria José, 48, também saiu de Marabá para participar do encontro em Olinda e diz que as mulheres do município não são reconhecidas pela atividade que exercem. “As parteiras da cidade são discriminadas e perseguidas”, afirma . “A nossa briga é lutar pelo reconhecimento”, completa Vera. Para se ter uma idéia das dificuldades enfrentadas pelas mulheres de Marabá, Maria José só realizou, em 25 anos de trabalho, apenas cinco partos.

PARTO HUMANIZADO – A psicóloga Vera Moraes atribui a discriminação sofrida pelas parteiras de Marabá – e também de outras cidades do País – à falta de informação, tanto do poder público quanto da socieade civil. De acordo com ela, muitas mulheres ainda preferem fazer uma cesária porque simplesmente não conhecem o parto normal. “As parteiras têm uma relação mais humanizada com as famílias, já que acompanham as mulheres da gravidez ao parto. No hospital as mães não têm muita ajuda”, explica Vera, convidada especial do encontro em Olinda por conta da experiência na área.

A psicóloga conta que o próximo passo agora será levar as informações obtidas na reunião para Marabá, onde um encontro regional de parteiras ainda deverá ser realizado este ano. “A partir daí, começaremos a trabalhar o protagonismo social para que as mulheres de lá tenham identidade. Durante todo esse processo, conversaremos com a Secretaria de Saúde do município para falar também da lei de profissionalização das parteiras”, diz. Até lá, as mulheres não só de Marabá, como também de outros municípios brasileiros, continuarão superando desafios para proporcionar um parto cada vez mais seguro e humanizado. Um exemplo a ser seguido.

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