Midiamorfose no horizonte do jornalismo impresso

Adaptação e sobrevivência tornaram-se palavras chave no jargão da mídia impressa, pois o futuro incerto provoca apreensão.

A facilidade de acesso a informação com o surgimento e a evolução de novas tecnologias, a competição com múltiplas mídias e suportes, a perspectiva da TV Digital na construção de novos paradigmas e na contribuição para a inclusão digital e a contínua perda de leitores e assinantes ameaçam a existência do jornalismo impresso. Para sobreviver, é preciso buscar maior integração com as diversas mídias, como Internet e Celular, transformar o suporte e personalizar a distribuição do conteúdo, estratégias conhecidas como Midiamorfose, defendidas por especialistas como Rosental Alves, responsável por lançar a versão online do Jornal do Brasil, o primeiro jornal brasileiro na Internet.

Impacto – Mais do que qualquer outra tecnologia ou nova mídia, a Internet provocou uma série de transformações na sociedade, nas relações sociais, profissionais e acadêmicas. E, principalmente, na maneira como lidamos com as informações. A mídia impressa sofreu o impacto. O 57º Congresso Mundial de Jornalismo Impresso, ocorrido em Istambul, em Junho de 2004, revelou que a circulação de jornais cresceu em apenas 35 dos 208 países estudados. Os maiores índices de crescimento foram identificados nos mercados emergentes, especialmente na China. São vendidos, em média, 85 milhões de exemplares diariamente, contra 55 dos Estados Unidos.

Declínio – Dados do Newspaper Association of America apontam a raiz do problema. O percentual de leitores norte americanos de jornais impressos começou a cair nos anos 40, resultado da competição com o Rádio e a Televisão. Mas o crescimento populacional no país provocou uma elevação da tiragem, camuflando a queda proporcional. Até que, nos anos 90, a circulação declinou em números absolutos. Em 1972, metade dos norte americanos na faixa dos vinte anos tinha o hábito de ler jornais todos os dias. Em 1998, esse número caiu para 20%. Hoje, metade da população lê o jornal apenas uma vez na semana, enquanto 62% lêem aos domingos. E os números continuam a cair.

Tentativas – Nas últimas décadas, os jornais procuraram meios de manter e atrair novos leitores. Fotos coloridas, formato tablóide, objetividade e simplicidade nos textos, brindes encartados e o uso de pesquisas para identificar o interesse dos leitores não foi o suficiente para mudar o quadro. Soma-se a isso, a elevação de custos do papel e a fuga dos anunciantes. Investimentos mundiais em publicidade cresceram 19% para 201 bilhões movimentados entre 1999 e 2004. A publicidade voltada para os jornais impressos somaram 46 bilhões, uma queda de 18% no período de 5 anos. A publicidade on-line cresceu 283% no mesmo período. Como resultado, a quantidade de jornais em circulação nos Estados Unidos caiu 17% nos últimos 22 anos. No Brasil, a queda foi de 16%, apenas nos últimos quatro anos. Ano passado, o Wall Street Journal reduziu seu tamanho para sobreviver. Por aqui, o Jornal do Brasil adotou o formato tablóide.

Resposta – Como competir com a velocidade com as informações transmitidas pela Internet? O filme Minority Report – A Nova Lei (Minority Report, EUA, 2002) de Steven Spielberg, antecipa a resposta e mostra um jornal, lido por um passageiro do metrô, parecido com um impresso de hoje, contudo, apesar de ter apenas uma página, as notícias são atualizadas em tempo real, vídeos substituem as fotos e as matérias são acessadas com o toque do dedo. O filme pode ser uma ficção, mas a tecnologia é real. Atualmente, várias empresas disputam para ver quem lança no mercado a melhor e mais econômica versão do E-Paper (papel eletrônico). A Phillips, Xerox, 3M, Lucent e Epson, entre outras, desenvolveram suas versões do produto.

Eletrosecagem – A base da tecnologia permite o controle do formato de uma interface confinada de água e óleo colorido, por meio de aplicação de uma tensão elétrica. Na ausência de tensão, o óleo colorido forma um filme plano entre a água e o eletrodo, que é recoberto por uma camada isolante e hidrofóbica. O resultado é um pixel colorido. Quando uma tensão é aplicada entre o eletrodo e a água, muda a tensão interfacial entre a água e o revestimento do eletrodo. Como resultado, o estado sobreposto não é mais estável, fazendo com que a água mova o óleo para o lado. Isto resulta em um pixel transparente ou, no caso de uma superfície branca ser utilizada como substrato, em um pixel branco. O E-Paper é quatro vezes mais brilhante do que os monitores de cristal líquido (LCD) e duas vezes mais brilhante do que as tecnologias emergentes até agora apresentadas ao mercado, além da vantagem de ser uma tela flexível como o papel tradicional. Apesar de promessor, o E-Paper ainda não alcançou os consumidores devido ao seu alto custo de produção.

Distribuição – No futuro, o usuário compraria uma tela E-Paper na assinatura do jornal e teria acesso a Internet em conexões sem fio. O jornal no E-Paper seria atualizado em tempo real, com tela sensível ao toque para o usuário acessar as matérias tocando nas chamadas. Para o jornal, o custo com papel, tinta e distribuição seria eliminado, as matérias ficariam livres dos limites de espaço e o jornal chegaria aos assinantes ao mesmo tempo, como nas outras mídias. Quem não tem E-Paper, caça com IPhone.

Convergência – A Apple, fabricante de computadores, investindo na convergência das mídias, apostou num novo conceito de aparelho celular, o IPhone. Com uma tela sensível ao toque, o aparelho reproduz mídias (foto, áudio e vídeo), tira fotos e permite acesso à Internet sem fio. O IPhone logo tornou-se um fenômeno de vendas nos EUA desde que foi lançado em julho do ano passado e a empresa empolgada pretende lançar o aparelho em mais de 70 países, sendo 16 apenas na América Latina, incluindo o Brasil, em julho desse ano. Com uma tela de 3,5 polegadas, será até confortável ler documentos digitais no aparelho como livros, revistas e jornais, além da facilidade e simplicidade de acessar conteúdos pela Internet. Veja mais detalhes sobre o IPhone em matéria do Blog Info XP.

Personalização – A revista produzida em Los Angelis, Reason, mostrou o caminho em sua edição de junho de 2004. Na ocasião, os assinantes receberam exemplares personalizados ao extremo. A chamada principal da capa era: “Eles sabem onde você vive!” seguido pelo nome do assinante. A foto da capa mostrava uma imagem de satélite do bairro residencial do assinante com uma circunferência marcando a casa dele. Aquele exemplar continha matérias e propagandas especialmente escolhidas para atender o gosto e o interesse de cada assinante. Portanto, foram publicadas 50 mil revistas diferentes numa única tiragem. A revista teve grande repercussão e o sucesso foi imediato. Em menos de um ano, as assinaturas cresceram em 20%. Os jornais poderiam tirar grande proveito da extrema personalização em suas versões virtuais porque com a Internet é possível rastrear as páginas visitadas por cada usuário, identificando os assuntos de maior interesse individual. Sendo possível responder com edições cada vez mais personalizadas.

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Texto veiculado originalmente no Blog Cosmopolita.

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