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Um Brasil Zen 24/09/2008

Posted by Marco Marins in ArteD.
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O surgimento da internete na sociedade mudou muito a estrutura pessoal, educacional , profissional, religiosa e artística do ser humano.

Na questão artística e mais especificamente para o mundo das Histórias em Quadrinhos, tanto no exterior como no Brasil, essas mudanças trouxeram importantes resultados para o espaço artístico das HQs brasileiras, ao citarmos os veteranos, nomes da década de 50, 60 e 70, ressurgiram, e até em alguns casos conseguiram lançar com aquele ultimo fôlego mais um trabalho no mercado. Porém miremos nos artistas atuais, não exatamente os famosos, não que eles não mereçam nossa atenção, más, aqueles que estavam atrás das cortinas, sendo esse o enorme evento, da luta do artista, em ser reconhecido, não só pelas editoras, más principalmente pelos possíveis leitores de seus trabalhos.

Poderíamos dizer a aqueles artistas que estão do outro lado da pagina impressa de uma revista, da mesma forma como os demais que ele admira, apenas almejam uma coisa, seu lugar ao sol.

Seguindo esses estímulos, sonhos, desejos, objetivos não importam essas três personagens que fazem parte da história da História em Quadrinhos no Brasil, Nestablo, Tatiana e Zen, são o exemplo das transformações que a Internet causou. A mesma possibilitou e possibilita com que o trabalho de autores desconhecidos como eles, atinjam pessoas de toda a parte do mundo e com um trabalho refinado, tanto visual como literário o Zona Zen, blog o qual qualquer pessoa pode visitar, se informará e se divertira com as aventuras de Zen.

Melhor que continuar a descrever as atividades desses três heróis, é conversar com eles.

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Um Brasil Zen – Continuação 24/09/2008

Posted by Marco Marins in ArteD.
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Nestablo, sabendo que todo artista tem um heróis ou anti-herói preferido, qual é o seu?

Meus heróis, sem sombra de dúvida, são meus pais! Graças a eles eu consegui apurar minha sensibilidade, item fundamental para quem quer se comunicar, e quadrinhos é isso: comunicação. Meus pais são minha fonte de inspiração para tudo que faço na vida. A coragem deles é divina! Tento passar para meu trabalho tudo que aprendi e aprendo com eles! Acho que os profissionais precisam mostrar mais destes exemplos em seus trabalhos.

Como já citamos que a estrada trilhada pelos quadrinhistas brasileiros é árdua, como foi seu percurso nessa estrada Nestablo, antes de aparição na internete?

Quando eu comecei a produzir quadrinhos profissionalmente, a Internet já não era uma jovem mocinha (risos). Os recursos para se colocar um trabalho na internet era limitado, não existiam blogs nem essa facilidade de hoje onde todos podem ter um site. Eu só comecei a explorar a internet e me aventurar mais dentro dela na década de 90, quando comecei mesmo a produzir minhas próprias histórias, ao mesmo tempo que tentava pensar numa forma de expor no mundo virtual. Mas não era mesmo tão fácil como é hoje! (risos). Então, posso dizer que minha vida profissional foi evoluindo paralelamente com a net. Um casamento feliz já que ela nos dá essa liberdade de poder mostrar o que podemos fazer na hora que quisermos.

Tatiana, nós sabemos que o mercado de histórias em quadrinhos no Brasil não é o que chamaríamos de ambiente natural das meninas, ou seja, do sexo feminino, principalmente quando relembramos o passado. Quando foi e como foi seu primeiro contato com esse tipo de arte e o mercado de HQs no Brasil?

É verdade, quando eu era guria nunca vi quadrinho feito por uma mulher. Aliás, ter acesso a vários autores já era bem raro, tinha o de sempre, pelo menos onde eu morava, tinha Maurício de Sousa, (eu gostava da Tina, do louco, e do Chico Bento), e tinha Disney e Marvel que eu não gostava muito. Na banca o espaço para os gibis era o canto do fundo. Eu preferia muito mais os livros. Em casa eu fazia historinhas do cotidiano da minha casa, ainda tenho esses desenhos…(risos). Com 8 anos entrei num ateliê de arte, aí conheci os artistas, reparei que haviam mais artistas homens que mulheres, isso tudo me marcou forte. Neste ateliê li revistas estrangeiras maravilhosas de arte, mas mesmo lá não tinha gibi. Bem mais tarde, quando ouvi pevez o disco da Janis com a capa do Crumb, foi que descobri outros desenhistas, pois fui pesquisar quem era o cara que desenhou a capa do disco, então um nome levou à outro e ai foi… Mas minha relação com o quadrinho sempre foi leve, nunca fui daquelas que respiram quadrinho dia e noite. Apesar de eu fazer histórias, eu lia mais livros que gibi. Meu interesse por animação é que me trouxe o quadrinho novamente. Eu gosto mais de histórias de cotidiano, e amo ficção científica. Hoje tem gente bacana por aí, eu gosto da Maitena, e quando li a Marjane Satrapi, foi perfeito, li Persépolis muito rápido de uma tacada só, simplesmente não dava pra parar de ler!

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Um Brasil Zen – Final 24/09/2008

Posted by Marco Marins in ArteD.
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O mercado de quadrinhos forçou o surgimento de um outro tipo de sociedade ou tribos (como dizem algumas pessoas), foi o surgimento dos Fanzines, um movimento que se iniciou na Inglaterra por volta dos anos 60, se alastrou pelo resto do mundo, chegando aqui no Brasil no anos 70. Fanzine partindo do conceito que era algo feito por fãs, fosse edições poéticas, música ou HQs o gênero criou força no Brasil e se alastrou por todo o país, porém a chegada da inernete deu uma guinada nesse movimento cultural de uma forma que hoje quase não se houve mais falar do mesmo, ou seja, foi devorado pelo bicho papão da internete ou quem sabe da globalização. Qual a sua opinião Nestablo e Tatiana sobre esse assunto? Que futuro vocês acham que esta reservado para os Fanzines, Fanzineiros e seus personagens, muitas vezes guerreiros combatentes de uma guerra ultrapassada, porém ainda muito sentida que é as dos artistas nacionais batalharem por seu espaço no Brasil?N

Eu não vejo esse futuro terrível para os fanzines. Acho que a internet, neste caso, veio para ajudar a encurtar as distâncias entre os fanzines e seus leitores. Não vejo como bicho-papão, mas sim como fada madrinha. A internet é uma grande ferramenta e aliada, mas você precisa saber como usar isso.

Acho que a arte sempre se transforma, e encontra um modo de se manter viva, assim como o veículo em que ela se expresse. Essa discussão aconteceu com os discos vinil, que estão a toda hoje nas pickups; aconteceu com o grafite que hoje vem se transformando e agregando mais linguagens como os adesivos; aconteceu com o rádio quando apareceu a televisão, nossa tantos exemplos, e em todos houve não uma extinção, mas uma transformação bem interessante. A internet se bem usada pode ser uma enorme aliada. Quem sabe os fanzines não vão invadir a internet sendo uma forma mais direta e original de expressão? Existem muitas coisas experimentais sendo feitas na internet, estou curiosa para ver em que os fanzines irão se transformar.

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