Caminhos dispersos 16/06/2008
Posted by Ronilson Araújo in Libertad Cero.Tags: Ficção, Um
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Leia aqui a introdução.
Episódio I
Rua do Bom Jesus – Recife Antigo – Recife – 23h15
Cássio Rodrigues levanta-se da mesa e acena para o garçom.
A conta, por favor.
O grupo de amigos interrompe a conversa e volta às atenções para Cássio. Reunidos num bar da Rua do Bom Jesus desde o fim do expediente, eles mantinham um debate acalorado sobre a organização das Olimpíadas no Brasil. Armando Freire não entende a decisão repentina de Cássio.
Que é isso, Amigo? Ainda é cedo. Além do mais, amanhã é feriado.
Mas eu preciso ir. Amanhã farei uma viagem. Alguém quer aproveitar a carona?
Marcela Lima logo se levanta da cadeira do lado oposto da mesa.
Vou querer uma carona, sim. Importa-se de me levar?
De forma alguma. Pode vir. Pessoal, bom feriadão pra vocês.
Cássio esboça um sorriso malicioso.
Marcela despede-se de todos. O garçom retorna com a conta para Cássio que deixa sua contribuição com Armando. Depois das despedidas, Cássio e Marcela seguem numa conversa animada monopolizando a atenção do grupo, enquanto se distanciam. O silêncio constrangedor é quebrado pelo compassado toque dos saltos de Marcela no asfalto de pedra. Um som que gradualmente perde a força com a distância. A rua, pouco movimentada pelo horário tardio, assume um clima fantasmagórico com suas casas históricas e árvores centenárias banhadas pela luz das lamparinas elétricas. Virgínia Lins irritada comenta aos amigos na mesa enquanto observa o casal distante.
Isso é papel de homem casado? Se fosse o meu marido…
Se fosse o seu marido, Cássio nem sentaria numa mesa de bar. Ele teria um GPS.
Completa, Armando, arrancando sorrisos dos demais.

























